“Não importa que a tenham demolido: A gente continua morando na velha casa em que nasceu.”
Mário Quintana
Um Eu virtual
“Não importa que a tenham demolido: A gente continua morando na velha casa em que nasceu.”
Mário Quintana
Adoro futebol. Sou um torcedor do Atlético Mineiro. Torcedor típico: que se entristece quando o time perde, sem saber porque e sem razão aparente, se sente intimamente humilhado com a derrota do seu time, principalmente quando é para seus maiores rivais (como vilões de gibis) Cruzeiro e Flamengo. Não costumo demonstrar com expansividade essas minhas tristezas e humilhações, assim como não imponho minha grande alegria e satisfação na vitoria. Faço isso devido à minha personalidade introspectiva, mas também por empatia e, consequentemente, respeito para com os torcedores do times rivais. Mas da mesma forma não me incomoda a demonstração de alegria, muito pelo contrario, alegria contagia, é do bem! Mas por ser do bem, não deveria ser excludente. Saber ser um vencedor e saber carregar a dignidade e a respeitabilidade da vitoria dignificando e respeitando os demais. Saber respeitar o outro, ter empatia por quem traz uma alma como a sua e que, com aqueles olhos que te miram, tristes ou alegres, vêm o mesmo mundo que você, é humano e é também divino, porque é saber Amar.
Eu adoro futebol arte, aprendi a gostar de futebol vendo a seleção brasileira do Telê desfilar a escola brasileira de futebol no final da década de 70 e inicio de 80, até que uma derrota em 82 e outra em 86 parecia ter matado de vez o futebol arte. Fez o mundo esquecer do poderio do talento, que se impôs com vitorias em outras 3 ocasiões. Ficou, a partir daí, uma frustração com o futebol apresentado. Via os infindáveis campeonatos e subsequentes copas do mundo com aquela inevitável sensação de nostalgia, de saudade. Vi duas vitorias da seleção brasileira que me encheram de alegria, mas não lavaram minha alma, porque faltava aquela coisa perdida em 82… Nostalgia!
É por isso que sempre que vejo novos talentos desfilando por aí, me encho de alegria e satisfação. Ver futebol arte, mesmo que em alguns lances isolados de um jogo, mesmo que de um só Ronaldinho Gaúcho, virou quase uma obsessão… A busca pela arte perdida em 82.
Hoje tenho enorme alegria de ver o futebol dos "meninos da vila" do Santos. Intimamente torço sempre por esses garotos (só excetuando quando enfrentam o meu Galo). Acredito que, como eu, os cronistas da imprensa desportiva também vivam com essa busca nostálgica e por isso deixam de criticar muitas atitudes erradas desses garotos - muitas vezes os defendem de críticas sensatas. Não se pode tirar a alegria desses garotos, coisa que o tempo e a maturidade, porque são cruéis, acabarão por se encarregar. Mas é dever de quem tem o poder de ser ouvido criticar e ensinar bom senso em suas atitudes. Ser alegre é uma coisa, ser desrespeitoso é outra muito diferente. Sentir a alegria da juventude é iluminador, o que é diferente de suportar jovens (por alegria) berrando e com som alto em frente o seu prédio de madrugada.
Alegria e arte com respeito é perfeitamente possível. É só uma questão de EDUCAÇÃO.
E puxa, como os nossos jovens precisam de um exemplo positivo!
Imaginem todos os treinadores de futebol do garoto Pelé. Assim também devem ter sido os professores de matemática do menino Gauss.
Não necessariamente o professor deve pretender ser mais sábio e mais inteligente que seus alunos. É o contrário disso. Deve sempre pretender tirar o máximo de seus pupilos para que, algumas vezes - glória das glórias-, alguns deles se tornem muito melhores que o mestre - aquele senhor mais velho e sorridente ali na frente.
Essa é a grande ambição de um VERDADEIRO educador.
O Google pode ser bastante útil, mas tomá-lo como única fonte de conhecimento me parece ser um vício perigoso.
Tenho para mim que aquele que nos dá todas as respostas dita o caminho de nossas vidas, manipula nossas ambições, e nos domina por completo.
Pela primeira vez profissional de saúde
Hoje, trabalhando no lar dos idosos, tive pela primeira vez a oportunidade de pegar um prato e com uma colher oferecer comida a uma pessoa. Neste ato me senti melhor do que em todos os anos que trabalhei como nutricionista. Com um crachá de estagiário de técnico em enfermagem e um jaleco azul, me esqueci de ter vaidade e quando percebi eu estava sorrindo e me senti feliz. Por todos os caminhos que eu poderia escolher entre fazer mestrado, especialização ou trabalhar como nutricionista, em nenhum deles eu poderia compreender o verdadeiro sentido da dietoterapia que me escapou por tantos anos. Os cuidados não se separam em áreas e não se divergem. É positivo toda a especialização dos meandros mas é necessário a convergência das finalidades.
André Galvão