Adoro futebol. Sou um torcedor do Atlético Mineiro. Torcedor típico: que se entristece quando o time perde, sem saber porque e sem razão aparente, se sente intimamente humilhado com a derrota do seu time, principalmente quando é para seus maiores rivais (como vilões de gibis) Cruzeiro e Flamengo. Não costumo demonstrar com expansividade essas minhas tristezas e humilhações, assim como não imponho minha grande alegria e satisfação na vitoria. Faço isso devido à minha personalidade introspectiva, mas também por empatia e, consequentemente, respeito para com os torcedores do times rivais. Mas da mesma forma não me incomoda a demonstração de alegria, muito pelo contrario, alegria contagia, é do bem! Mas por ser do bem, não deveria ser excludente. Saber ser um vencedor e saber carregar a dignidade e a respeitabilidade da vitoria dignificando e respeitando os demais. Saber respeitar o outro, ter empatia por quem traz uma alma como a sua e que, com aqueles olhos que te miram, tristes ou alegres, vêm o mesmo mundo que você, é humano e é também divino, porque é saber Amar.
Eu adoro futebol arte, aprendi a gostar de futebol vendo a seleção brasileira do Telê desfilar a escola brasileira de futebol no final da década de 70 e inicio de 80, até que uma derrota em 82 e outra em 86 parecia ter matado de vez o futebol arte. Fez o mundo esquecer do poderio do talento, que se impôs com vitorias em outras 3 ocasiões. Ficou, a partir daí, uma frustração com o futebol apresentado. Via os infindáveis campeonatos e subsequentes copas do mundo com aquela inevitável sensação de nostalgia, de saudade. Vi duas vitorias da seleção brasileira que me encheram de alegria, mas não lavaram minha alma, porque faltava aquela coisa perdida em 82… Nostalgia!
É por isso que sempre que vejo novos talentos desfilando por aí, me encho de alegria e satisfação. Ver futebol arte, mesmo que em alguns lances isolados de um jogo, mesmo que de um só Ronaldinho Gaúcho, virou quase uma obsessão… A busca pela arte perdida em 82.
Hoje tenho enorme alegria de ver o futebol dos "meninos da vila" do Santos. Intimamente torço sempre por esses garotos (só excetuando quando enfrentam o meu Galo). Acredito que, como eu, os cronistas da imprensa desportiva também vivam com essa busca nostálgica e por isso deixam de criticar muitas atitudes erradas desses garotos - muitas vezes os defendem de críticas sensatas. Não se pode tirar a alegria desses garotos, coisa que o tempo e a maturidade, porque são cruéis, acabarão por se encarregar. Mas é dever de quem tem o poder de ser ouvido criticar e ensinar bom senso em suas atitudes. Ser alegre é uma coisa, ser desrespeitoso é outra muito diferente. Sentir a alegria da juventude é iluminador, o que é diferente de suportar jovens (por alegria) berrando e com som alto em frente o seu prédio de madrugada.
Alegria e arte com respeito é perfeitamente possível. É só uma questão de EDUCAÇÃO.
E puxa, como os nossos jovens precisam de um exemplo positivo!